A família portuguesa que aportou em terras brasileiras
Jornal Noticiero de julho/2009

Dona Maria Lina e seus filhos
Há mais de 50 anos morando no Brasil, a portuguesa Maria Lina de Souza Silva, com seus 75 anos de idade, não perdeu o sotaque da sua terra natal. Com muita emoção, contou a história das suas origens, e da sua próspera vida na Azenha. A sua filha Tina, Clementina Augusta C. Souza, 54 anos, ajudou a relembrar os detalhes dos acontecimentos.
A grande aventura de suas vidas foi atravessar o Oceano Atlântico, 20 dias de viagem, no último navio do Vera Cruz. Vieram recomeçar a suas vidas numa terra desconhecida, mas com muito otimismo e esperança. Na época, eram muito jovens, Maria Lina tinha 20 anos de idade e estava grávida, o seu marido, Antônio Cardoso da Silva, tinha 26 anos e a filha, com apenas 3 anos. “Era o grande sonho do meu marido vir para o Brasil”. Seu Antônio tinha muitos parentes no Rio de Janeiro, onde aportaram, pois o seu avô já tinha chegado ao Brasil há muitos anos. Mas seguiram para o seu destino que era em Porto Alegre, onde morava o primo de dona Maria Lina, o incentivador desta aventura.
Os tempos da Lancheria Leblon
Depois de vários lugares, chegaram na Azenha e por aqui ficaram. “Meu pai sempre dizia que a Azenha era um ponto comercial maravilhoso”, salientou Tina. Seu Antônio, era mais conhecido por “Murie”, começou trabalhando como empregado no açougue do antigo Bar Dalila, em frente ao cinema Castelo na época. Com o passar do tempo, foi conquistando o seu espaço e acabou sendo sócio da empresa. Mais tarde comprou a parte do seu sócio, e tornou-se proprietário do bar e do açougue.
O ambiente foi reformado e transformou-se na Lancheria Leblon, onde então dona Maria Lina e os filhos foram trabalhar também. O açougue foi transferido para a Marcílio Dias, onde hoje é a loja de artesanato. Logo depois, na mesma rua, abriu a primeira barbearia do bairro e assim foi prosperando, revelando-se como um comerciante bem sucedido. Tina recorda que tinha por volta de 7 anos de idade, quando o pai começou com a Lancheria Leblon e continuou por mais 30 anos na atividade, até falecer. “Ele era um grande homem, um pai amigo e ajudava muitas pessoas. Ele fez grandes amizades na Azenha”.
A artesã
Ainda em vida, para tratar da sua saúde, seu Antônio vendeu o Bar Leblon para outro português. Mas dona Maria Lina continuou com os outros três pontos, onde num deles está o seu filho, com estúdio de fotografia e, no outro, está a loja de artesanato da qual faz parte, junto com a filha e a associação de artesãs Art’ Sonhos.
Dona Maria Lina é uma das artesãs mais antigas, com mais de 30 anos de registro na Casa do Artesão. Começou a se dedicar integralmente à profissão depois da morte de seu marido, “pois ficava muito sozinha”. Expõe seus trabalhos em tricô e crochê na loja do Mercado Público, e há mais de 13 anos no Hipo Fábricas e no Shopping Total.
Esta família de portugueses realmente firmou suas raízes na Azenha. Em todos esses anos, dona Maria Lina foi só uma vez para Portugal e não tinha dúvidas de que o seu lar era aqui. “Não penso em viver em outro lugar. Sempre gostei de morar aqui, pois na Azenha tem tudo por perto, inclusive os meus queridos filhos.”
Matéria de Simone Moro – simoneprisma@gmail.com